Faz hoje uma semana desde que, na passada quinta-feira, 29 de Janeiro, a petrolífera francesa TotalEnergies, seus parceiros e o Governo moçambicano retomaram o projecto “Mozambique LNG”, na Península de Afunji, Distrito de Palma, região norte da província de Cabo-Delgado.

O projecto foi suspenso a 26 liderado 6 de Abril de 2021, quando a TotalEnergies declarou “força maior”, tendo como consequência a retirada de todo o seu pessoal e dos parceiros do projecto “Mozambique LNG”, na sequência do ataque terrorista à Vila de Palma, a escassos quilómetros de Afunji, onde o gigante francês liderava a construção, em terra, da primeira fábrica de gás natural liquefeito (GNL) do país.

Antes de ontem retomado, o projecto “Mozambique LNG” inclui o desenvolvimento dos campos Golfinho e Atum, localizados na Área 1 Offshore (no mar), para além da construção de duas unidades de liquefação com capacidade de 13,1 milhões de toneladas por ano (MTPA), num investimento de 20 biliões de dólares americanos, o maior do sector privado em África. Ao cabo de quatro anos, nove neses e três dias, Gasoduto recorda algumas acções de destaque que ocorreram visando a retoma deste empreendimento:

16 A 8 DE MAIO DE 2021: o antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, visita a França, país de sede da TotalEnergies. Durante dois dias, Filipe Nyusi teve encontro com o seu homólogo francês, Emmanuel Macron e com actores ligados directamente com o projecto “Mozambique LNG”, num esforço para convencer-lhes a retomar com a maior brevidade;

10 DE JULHO DE 2021: o Ruanda envia o primeiro contingente de tropas à província de Cabo-Delgado para que, ao lado das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), combatam o terrorismo na zona norte da província;

15 DE JULHO DE 2021: a Comunidade dos Países da África Austral (SADC) envia o primeiro contingente de tropas para, em coordenação com as FADM e tropas doRuanda, combater as acções terroristas na região norte de Cabo-Delgado. A Missão da SADC em Moçambique (SAMIM), foi aprovada durante a Cimeira Extraordinária dos Chefes de Estado e de Governo havida em Maputo, a 23 de Junho de 2021. As tropas da SAMIM vinham de oito (8) países, nomeadamente Angola, Botswana, República Democrática do Congo, Lesotho, Malawi, South Africa, Tanzania e Zambia;

8 DE AGOSTO DE 2021: a Vila da Mocímboa da Praia é recuperada do domínio dos terroristas, que cederam ao avanço conjunto das FADM e forças do Ruanda. Estratégica, a Vila de Mocímboa da Praia era por muitos considerada como sendo a “base” dos terroristas e está situada a 70 quilómetros a sul da área de construção do projeto de “Mozambique LNG”. Nos meses seguintes, são muitos os distritos, localidades e povoados que estavam sob domínio dos terroristas que voltam ao controlo do Estado moçambicano;

8 DE SETEMBRO DE 2022: a União Europeia (UE) anuncia um apoio de 15 milhões de Euros (cerca de 20 milhões de dólares americanos), para financiar amissão das tropas da SAMIM que combatiam o terrorismo no norte do país;

2 DE FEVEREIRO DE 2023: o Presidente Executivo da TotalEnergies, PatrickPouyanné, visita o nosso país e escala a área industrial de Afungi, a vila de reassentamento de Quitunda e as vilas de Palma e Mocímboa da Praia. Na sequência, reúne-se com o então Presidente da República, Filipe Nyusi, já na cidade de Pemba, para falar sobre a evolução da situação de segurança e humanitária na província de Cabo Delgado. À margem do encontro, Patrick Pouyanné anuncia ter confiado em Jean-Christophe Rufin, personalidade reconhecida pela sua expertise nas áreas de acção humanitária e de direitos humanos, a missão independente de avaliar a situação humanitária na província de Cabo Delgado visando o retorno ao projecto “Mozambique LNG”;

1 DE MARÇO DE 2023: A Saipen, uma empresa italiana de engenharia e subcontratada pela TotalEnergues, auncia para Julho seguinte a retoma do projecto deconstrução da fábrica de gás natural do projecto “Mozambique LNG”. A informação foi prestada por Alessandro Puliti, Director-Executivo da Saipen, citado por váriosórgãos de informação internacionais. A Saipen lidera o consórcio CCS, que inclui a japonesa Chiyoda e McDermott, dos Estados Unidos da América;

26 DE ABRIL DE 2023: o ex-presidente da República, Filipe Nyusi disse esperar que, a qualquer momento, a petrolífera francesa TotalEnergies retome com o desenvolvimento do empreendimento “Mozambique LNG”. No dia em que a declaração de “força maior” da TotalEnergies completava dois anos, o chefe de Estado manifestou este desejo na abertura da 9a Edição da Conferência e Exposição de Mineração e Energia de Moçambique, que acontecia na cidade de Maputo.

5 DE ABRIL DE 2024: as forças armadas da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que combatiam o terrorismo em CaboDelgado, iniciam a sua retirada. O contingente do Botswana foi o primeiro a retirar-se do país. A missão encerrou oficialmnente na quinta-feira do dia 4 de Julho.

23 DE DEZEMBRO 2024: O Conselho Constitucional confirmou a eleição de Daniel Chapo como presidente da República de Moçambique, tendo vencido as eleições com 65,17 por cento dos votos pelo partido Frelimo, superando Venâncio Mondlane, suportado pelo Podemos, com 24,19 por cento dos votos.

15 DE JANEIRO DE 2025: Daniel Chapo tomou posse como o quinto presidente da República de Moçambique, em substituição de Filipe Nyusi que dirigiu o país nos anteriores 10 anos, perfazendo dois mandatos. O encontro decorreu, de forma sigilosa em Maputo, e dias depois de o Chefe de Estado ter apelado a multinacional francesa para o reinicio dos trabalhos uma vez asseguradas as condições para o efeito.

03 DE JULHO 2025: O CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, manteve um encontro com Daniel Chapo, presidente da República de Moçambique para discutir a melhoria de condições para a então retoma efectiva dos trabalhos da Total, em Afungi, Bacia do Rovuma.

27 DE AGOSTO DE 2025: o Presidente da República, Daniel Chapo, inicia uma visita de dois dias a Ruanda, cujas tropas estão em Cabo-Delgado a ajudar na luta contra o terrorismo. Do encontro fica claro que as tropas do Ruanda só devem sair do país depois de concluída a edificação do projecto “Mozambique LNG”.

6 DE SETEMBRO DE 2025: o Director-Geral da TotalEnergies em Moçambique, Maxime Rabilloud, visita a Vila de Palma onde procede à entrega de infra-estruturas sociais às comunidades locais. À margem da visita, Maxime Rabilloud anuncia que estava para breve a retoma do projecto “Mozambique LNG”.

24 DE OUTUBRO DE 2025: em carta dirigida à Presidência da República, consórcio liderado pela TotalEnergies anunciou o levantamento do estatuto de “Força Maior” sobre o projecto “Mozambique LNG”, na península de Afungi, província de Cabo Delgado. Este facto deixou claro que, em termos práticos, a retoma das obras em Afunji seria uma questão de meses.

29 DE JANEIRO DE 2026: A TOTALENERGIES retomou efectivamente as suas actividades em Afungi, Cabo Delgado, quase cinco anos depois da interrupção de actividades devido a situação de segurança. Para o efeito foi realizada uma cerimónia em Cabo Delgado, que contou com a presença do presidente da República, Daniel Chapo e do CEO da petrolífera francesa, líder do investimento de pouco mais de 20 mil milhões de dólares norte-americanos, Patrick Pouyanné.

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