O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que Moçambique enfrenta uma combinação de pressões económicas e climáticas, marcada pelo forte impacto das variações dos preços internacionais dos combustíveis, sobretudo do gasóleo, e pelo risco de uma seca severa associada ao fenómeno El Niño, com potenciais consequências para a produção agrícola, o abastecimento de energia e o custo de vida.

Os dados constam no relatório divulgado recentemente pela instituição financeira.

O FMI a indica igualmente que o gasóleo registou uma taxa de repasse de 192% em Moçambique, acima dos níveis observados na Tanzânia, de 165%, e na África do Sul, de 106%. Na gasolina, a taxa de repasse foi de 32%, reflectindo uma transmissão mais moderada das variações dos preços internacionais para o mercado nacional.

O impacto dos combustíveis representa uma fonte adicional de pressão sobre a economia, tendo em conta o peso dos custos de transporte na distribuição de mercadorias e na circulação de pessoas.

A subida dos custos logísticos pode repercutir-se nos preços de bens essenciais, agravando as dificuldades das famílias e das empresas.

A esta pressão junta-se a ameaça climática. Segundo o FMI, o fenómeno El Niño poderá prolongar-se até Fevereiro de 2027, enquanto as previsões para o período entre Outubro de 2026 e Março de 2027 apontam para precipitação abaixo do normal em várias zonas de Moçambique e de outros países da África Austral.

A redução das chuvas poderá comprometer as colheitas e as pastagens, diminuir os rendimentos das famílias rurais e pressionar os preços dos alimentos.

O Fundo alerta igualmente que a diminuição dos níveis de água nos reservatórios poderá limitar a produção de energia hidroeléctrica, criando riscos adicionais para o abastecimento energético.

Embora o El Niño não determine directamente a subida dos preços internacionais do petróleo, os seus efeitos sobre a agricultura, os recursos hídricos e a produção de electricidade podem aumentar os custos económicos e agravar a pressão sobre os rendimentos das famílias.

A evolução dos preços dos combustíveis continuará, por sua vez, dependente das condições do mercado internacional e da forma como essas variações são transmitidas ao mercado nacional.

Perante este cenário, o FMI considera que os governos devem evitar medidas generalizadas de alívio dos preços que beneficiem desproporcionalmente as famílias com maior poder de compra.

Em alternativa, recomenda apoios directos aos grupos mais vulneráveis, uma gestão mais eficiente da despesa pública e investimentos que reforcem a capacidade de resposta aos choques económicos e climáticos.

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