O preço de venda ao público de gasolina e de gasóleo em Moçambique pode situar-se acima de 100 meticais por litro nos próximos dias, caso o Governo não aprove medidas de mitigação.

A conclusão é da nossa equipa de Reportagem, depois da análise aos números dos custos de importação apresentados na passada quinta-feira (9), pela Directora Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Felisbela Cunhete, durante um encontro que manteve com jornalistas, na capital do país, Maputo.

Há dois dias, recorde-se, Felisbela Cunhete disse que como consequência da guerra no Médio Oriente, a gasolina que antes era aquirida a 700 dólares por tonelada subiu para 1038 dólares americanos no corrente mês de Abril.

Sobre o gasóleo, a fonte disse que dos anteriores 730 dólares necessários para adquirir uma tonelada, a mesma mais do que duplicou, custando 1480 dólares.

O mesmo aconteceu com o Jet, combustivel para aviação, que entre Março e Abril, subiu de 769 dólares para 1592 dólares por tonelada.

Interpretando os números, o que Felisbeta Cunhete disse é que se antes o litro de gasolina e gasóleo era descarregado nos terminais portuários de Maputo (Língamo, Matola), Beira, Nacala e Pemba a 36.7 MT e 43.7 MT, os mesmos registam um agravamento em torno de 16.15 MT e 40.42 MT, respectivamente.

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Isso significa que, agora, o preço de chegada de cada litro de gasolina e gasóleo nos portos moçambicanos está fixado em torno de 52.85 MT e 84.12 MT, respectivamente.

 

A esses valores são adicionados os custos de outras obrigações que constroem a cadeia do preço de venda ao público, tais os casos de direitos aduaneiros, direitos fiscais (IVA), imposto sobre o consumo específico, margem de lucro das empresas distribuidoras, margem de lucro de empresas retalhistas e de venda directa ao consumidor final, valor de componente de estabilização, taxa regulatória do sector de energia, preço de diferencial de transporte entre outros.

Contas feitas, se o Executivo não intervir para “forçar” a aplicação de um preço distante do real, a gasolina pode ser vendida a praticamente 100.00 MT por litro somente nas cidades com terminais portuários.

Bem mais avassalador seria o agravamento do preço do gasóleo que teria um incremento de 53.71 MT, saindo dos actuais 79.88 MT para 133.59 MT.

Mas as notícias menos positivas não têm prazo certo. É que estas previsões referem-se a um eventual ajustamento do preço tomando em linha de conta que, em Moçambique, são usados para o efeito os preços médios de importação dos dois meses anteriores, sendo que para o caso seriam nomeadamente os meses de Fevereiro (antes do início da guerra no Médio Oriente) e Março, já com a guerra em curso.

Já em Maio, uma eventual actualização do preço de venda de combustíveis ao público teria que ter em conta, igualmente, os preços de importação dos dois meses anteriores, nomeadamente Março e Abril, completamente influenciados pelo impacto da guerra entre os aliados Estados Unidos da América e Israel contra o Irão.

Veja, no vídeo, as declarações de Felisbela Cunhete, Directora Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, falando a jornalistas na passada quinta-feira sobre os custos de importação destas fontes energéticas e a preocupação das autoridades moçambicanas sobre a sua disponibilidade e pressão no preço de venda ao público.

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