Na noite de ontem, quarta-feira, 18 de Fevereiro, o Costa do Sol, clube institucional pertencente à Electricidade de Moçambique, apresentou a sua equipa principal masculina de futebol para a temporada de 2026.
Até aí nada de anormal até chegar-se ao facto que, quanto a nós, marcou aquela noite, quando o avançado internacional malawiano, Richard Mbulu, recebeu a braçadeira de capitão das mãos do presidente da colectividade, Alberto Banze.
O facto seria considerado normal se não recuássemos até a tarde de quarta-feira, 27 de Agosto de 2025, quando Richard Mbulu, representando a União Desportiva de Songo e em jogo da 12ª jornada do Moçambola, marcou o golo que valeu a vitória da equipa da província de Tete, ajudando a apontar o caminho para a conquista do título de campeão nacional.
Na cobrança de um livre directo, Richard Mbulu desferiu um remate indefensável que só parou no fundo da baliza do Costa do Sol. Um clube que, curiosamente, o malawiano tinha uma relação profícua que havia lhe tornado um dos melhores jogadores estrangeiros de sempre a representa-lo.
Aliás, a esse respeito, afigura-se importante assinalar que, no Costa do sol, Mbulu ganhou quatro títulos de dimensão nacional representa em uma relação iniciada em 2017, ido do Nafco FC, do Malawi.
No Costa do Sol, Richard Mbulu foi campeão nacional em 2019, ano do último título nacional dos canarinhos e que havia aberto com o malawiano a contribuir para a conquista da Super Taça Mário Coluna. Antes, Mbulu havia participado na coqnuista da Taça de Moçambique das épocas de 2017 e 2018.
Depois de 2019, Mbulu emigrou para a África do Sul, jogando no Baroka FC nas três épocas seguintes, regressando em 2023 e permanecido até o final de 2024.
Em 2025, Mbulu mudou-se para a União Desportiva de Songo e, de forma curiosa, no primeiro jogo contra a sua antiga equipa, marcou o golo que custou a sua derrota.
Em respeito aos anos em que representou o Costa do Sol, Mbulu recusou-se celebrar o golo.
Enquanto os seus colegas de equipa corriam para abraça-lo e convidando-o a entrar na festa, Mbuu dirigiu-se à bancada onde estavam os “Thokosa”, a claque oficial do Costa do Sol e, de braços levantados, pediu desculpas pelo golo que havia marcado a favor da União Desportiva de Songo. Um golo que feria aqueles mesmos adeptos que, durante anos, deu alegrias marcando os golos do Costa do Sol.
Como se não bastasse, enquanto os colegas da Uinião Desportiva de Songo continuavam com a celebração do golo, Mbulu, que já estava de braços levantados, elevou os níveis de respeito, ajoelhando-se e continuando a pedir desculpas aos adeptos do Costa do Sol.
Toda a gente viu e assinalou esse gesto de Richard Mbulu.
Um gesto de profundo respeito por um clube que, afinal, muito significa na sua carreira futebolística.
Por isso, aqui chegados, não estranha que, tendo terminado a relação com a União Desportiva de Songo e, de volta ao Costa do Sol, na hora do clube decidir quem devia ser o capitão da sua equipa, o nome de Richard Mbulu tenha ganho a concorrência, se é que houve.
Há quase seis meses, com o golo marcado contra o Costa do Sol, Mbulu podia ter escolhido a vaidade, tentando provar que ele é mais importante do que uma instituição à qual representou e que até podia ter saído em resultado de algum desentendimento, mas escolheu reconhecer um passado que lhe vai acompanhar para sempre.
Preferiu respeito sem deixar de ser profissional.
Agora, quase seis meses depois, porque a vida de futebolista dá voltas e Mbulu regressou a um clube que até havia jogado, este o recebeu de braços abertos e o honrou com a braçadeira de capitão.
Quanto a nós, fica uma grande lição.
A lição do quão importante saber fechar as portas na hora da saída e de honrar sempre o passado, seja quais tenham sido as razões do “divórcio”, porque enquanto houver vida corre-se o risco de um novo recomeço e é preciso deixar espaço para que tal aconteça com alguma naturalidade.
Se por um lado Mbulu respeitou o Costa do Sol, o clube, por sua vez, honrou esse respeito atribuindo-lhe a braçadeira de capitão, qual poder de ser o elo de ligação entre a equipa e a direcção do clube.
Um bem haja a Mbulu e o Costa do Sol por esta recíproca demonstração pública de respeito e reconhecimento, porque tornam o futebol um lugar de valores que inspiram toda a sociedade moçambicana.

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