Dois cargueiros da estatal chinesa Cosco Shipping e outro navio de propriedade e tripulação chinesa, mas com bandeira do Panamá, conseguiram atravessar o estreito de Ormuz, ontem, segunda-feira, 30 de Março.
Os dois navios da Cosco transportam contentores maioritariamente vazios e têm como destino declarado Port Klang (Malásia), segundo informação partilhada pelo portal de monitorização MarineTraffic.
Os mapas da plataforma mostram que tanto os navios da Cosco “Indian Ocean” e “Arctic Ocean” como o panamiano “Mac Hope” já se encontram em águas a leste de Ormuz, após atravessarem esta via marítima crucial, por onde passa cerca de 20 por cento do petróleo e gás natural consumidos a nível mundial, e que se encontra bloqueada pelo Irão.
“Após abortarem uma tentativa inicial de travessia na sexta-feira, os cargueiros da Cosco conseguiram atravessar com sucesso o Estreito de Ormuz, um possível sinal de mudança na situação das rotas marítimas comerciais. (…) Trata-se da primeira travessia bem-sucedida de um grande cargueiro desde o início do conflito”, lê-se.
As embarcações da Cosco tinham previsto partir rumo à Malásia em meados de Março, mas os ataques dos Estados Unidos da América e de Israel contra o Irão, bem como as represálias de Teerão, também dirigidas contra outros países da região, deixaram-nas retidas no Golfo Pérsico.
O MarineTraffic informou, ao final da tarde ontem, sobre o trânsito bem-sucedido das embarcações.
Na semana passada, a Cosco anunciou que voltaria a aceitar novas reservas de contentores normais com destino a vários países do Médio Oriente, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait e Iraque, segundo um aviso aos clientes.
Entretanto, a consultora Trivium China alertou hoje para “não tirar conclusões precipitadas”: “Por um lado, o Irão insiste que o estreito está aberto à navegação de ‘países amigos’, incluindo a China (…). Por outro, os navios da Cosco estavam vazios e encontravam-se retidos no Golfo desde o final de Fevereiro”.
Nas últimas semanas, os ataques e ameaças na região têm perturbado a navegação comercial e aumentado custos logísticos, o que provocou uma subida dos preços do petróleo nos mercados internacionais, afectando também a China, onde os combustíveis registaram uma das maiores subidas recentes.







