O Ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, disse que o aumento do preço do petróleo nos mercados internacionais, devido à guerra no Irão, é positivo para países exportadores como Angola.

Entretanto, apesar da vantagem, o dirigente anotou que, num outro prisma de análise, uma desvantagem derivada da inflação que pode ser propiciada através das importações.

“São notícias interessantes, mas temos de fazer um compasso de espera e ver como pode impactar, porque [a subida dos preços do petróleo] pode ser efémera, ou de médio e longo prazo. Vamos ter de nos ajustar em conformidade”, disse José de Lima Massano comentando os efeitos da subida do preço do barril, desencadeada pela guerra movida por Israel e os Estados Unidos da América contra o Irão e que se tem alargado pela região do Médio Oriente.

Na primeira edição da conferência “Radar África – Os Caminhos de Angola”, que o Jornal de Negócios realizou em Lisboa, o ministro angolano referiu que, no imediato, são sempre “notícias positivas para os países produtores de petróleo”.

Contudo, continuou o governante, “no caso concreto de Angola, que tem uma factura ainda alta de importações de bens essenciais, vai também sofrer os efeitos do aumento dos preços do petróleo”, disse, apontando a inflação que continua acima de dois dígitos.

O orçamento de Angola para este ano prevê um preço médio de 61 dólares por barril, mas desde o ataque dos Estados Unidos da América e Israel ao Irão que o valor tem vindo a subir, tendo ultrapassado esta segunda-feira, 9 de Março, a barreira dos 87 dólares por barril.

“Na altura, fizemos o Orçamento Geral do Estado prevendo 61 dólares por barril e já foi um tanto ousado perante o contexto externo, mas agora estamos no primeiro trimestre e o barril já está acima dos 80 dólares”, apontou o governante citado pela Lusa.

A economia de Angola, continuou, ainda é muito dependente do sector petrolífero para a geração de moeda externa, sendo responsável por 90%, mas José de Lima Massano vincou que na economia, o peso é cada vez menor, salientando os efeitos dos esforços de diversificação dos últimos anos.

“Os dados mais recentes relativos a 2025 mostram que o sector não petrolífero tem um peso dominante, perto de 80%, e o petrolífero está nos 19,5%”, lembrou, e a agricultura, “um setor que era muito pouco expressivo agora cresce a uma velocidade bastante interessante, com um peso no PIB que se equipara ao sector petrolífero”.

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