O preço de petróleo caiu mais de 10 por cento, ontem, depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu o alcance de avanços significativos nas discussões com o Irão sobre a guerra iniciada a 28 de Fevereiro.

Embora o posicionamento tenha sido desmentido pelos iranianos, as afirmações de Trump tiveram um impacto positivo no mercado, sobretudo, no que diz respeito à queda no preço do petróleo, que vinha observando uma subida considerável.

Com o efeito, o custo do brent fixou-se em 99,94 dólares norte-americanos.

Desde que Trump falou em desanuviamento, os investidores apressaram-se a vender os seus barris, para embolsar o ganho, provocando uma quebra acentuada das cotações e um alívio do “prémio de guerra”.

Para procurar reabrir o Estreito de Ormuz, Donald Trump fez, no sábado, um ultimato ao Irão, dando-lhe dois dias para aquela reabertura, sob pena de atacar as suas centrais eléctricas.

“A impressão que isto dá é que ele está próximo da sua linha vermelha”, disse John Plassard, do Cité Gestion Private Bank, em declarações à AFP.

Na sua opinião, esta eventual escalada, com o risco de represálias iranianas sobre as infra-estruturas dos Estados do Golfo Pérsico, levaria o petróleo “aos 150 dólares por barril, o que teria implicações catastróficas” para a economia e os cidadãos dos EUA, quando se está a poucos meses das eleições do meio do mandato.

O Brent, referência internacional, desde logo para a Europa, valorizou mais de 40 por cento desde o início dos ataques. O gás europeu, estruturalmente mais volátil, viu a sua cotação subir mais de 75 por cento.

As exportações de hidrocarbonetos dos Estados do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Iraque ou Qatar, são em grande parte travadas pela quase paralisia do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20 por cento da produção mundial de petróleo e gás liquefeito.

Segundo o director da Agência Internacional de Energia, Fatih Briol, isto implica “menos de 11 milhões de barris” de petróleo todos os dias, o que representa “mais do que as duas crises petrolíferas (nos anos 1970) reunidas”.

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