Foi apresentado esta quarta-feira, 20 de Maio, o estudo de viabilidade da Linha de Transporte de Energia Eléctrica Tete-Maputo, uma infra-estrutura crucial para operacionalizar o projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa.

Apresentado na capital do país, Maputo, o estudo recomenda, essencialmente, o desenvolvimento da infra-estrutura baseada em um mínimo de duas linhas de transporte de circuito único de 400 kilowatts (kw) de tensão, com uma extensão de perto de 1300 quilómetros e várias subestações ao longo do corredor de Tete até Maputo.

Na nota de imprensa publicada pelo Gabinete de Implementação do Projecto Hidroeléctrico de Mphanda Nkuwa, indica-se que a infra-estrutura representa a futura espinha dorsal do sistema de transmissão Centro–Sul de Moçambique.

Ao ligar directamente Tete a Maputo, a linha cria, pela primeira vez na história do sector eléctrico nacional, um eixo robusto de transporte de energia capaz de suportar grandes volumes de produção renovável, avança a nota, acrescentando que as subestações previstas ao longo do corredor não se configuram apenas pontos técnicos da rede, mas pontos de desenvolvimento económico.

O estudo, cujos resultados foram hoje apresentados, focalizou-se na avaliação de alternativas técnicas e económicas para a evacuação de energia de Tete, especificamente em Mphanda Nkuwa, para a Região Sul do país, determinando a forma mais económica de fornecer o recurso a África Austral e demonstrar viabilidade técnica.

Com um custo estimado de 1.4 biliões de dólares norte-americanos, a nota indica que o empreendimento tem já financiamento para a fase 1 assegurado pelo Governo junto do Banco Mundial (BM) e do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

Outrossim, decorrem ainda negociações para as fases subsequentes envolvendo outras instituições parceiras como o Banco Europeu de Investimentos e a União Europeia.

A construção da linha inclui a realização da Avaliação de Impacto Ambiental e Social (AIAS) visando identificar, caracterizar e avaliar os impactos ambientais resultantes das obras, operação do empreendimento e definir as medidas de mitigação necessárias de forma a optimizar o desempenho ambiental do empreendimento, incluindo Participação Pública, Quadro de Politica de Reassentamento, Plano de Gestão Ambiental e Plano de Desenvolvimento Comunitário em conformidade com a legislação nacional e requisitos internacionais.

A nota indica que, futuramente, a infra-estrutura será gerida pelo Governo através da Electricidade de Moçambique (EDM), na qualidade de operador de sistema eléctrico nacional.

Refira-se que, em estudo apresentado no passado dia 12 de Maio pelo economista Rui Mate, o Centro de Integridade Pública (CIP), alertou para o facto do Governo estar a dedicar muita atenção ao sector de exploração de hidrocarbonetos (petróleo e gás) e negligenciando outros que ajudariam no processo de diversificação económica.

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O projecto da barragem de Mphanda Nkuwa foi citado pelo especialista (veja o vídeo) como exemplo de uma iniciativa com potencial de jogar um papel central na diversificação da economia nacional cujas perspectivas futuras estão ancoradas na exploração de hidrocarbonetos.

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