O Ruanda anunciou ontem, terça-feira (19), que vai manter o seu exército na província de Cabo Delgado onde, desde 2021, ajuda no combate ao terrorismo, depois de Moçambique ter assegurado o financiamento para a continuidade das tropas naquela região que alberga projectos de gás.

A decisão surge num contexto de retoma das actividades do projecto da TotalEnergies, avaliado em 20 mil milhões de dólares e da aproximação do anúncio da Decisão Final de Investimento (FID, na sigla em inglês) da ExxonMobil, dois dos maiores investimentos para a exploração do gás na Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

De acordo com a imprensa internacional, o Ruanda voltou, este ano, a negociar exclusivamente com o Governo de Moçambique, que, por sua vez, garantiu que continuará a garantir o financiamento necessário para a continuidade das suas forças de segurança no Teatro Operacional Norte (TON).

“A colaboração entre os dois governos tem sido bem-sucedida e continuará nesta mesma linha, visto que o trabalho das forças de segurança ruandesas em Cabo Delgado é reconhecido pelo país irmão, Moçambique”, afirmou, numa mensagem ontem na rede social X, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe citado pela Lusa.

Explicou que o Ruando notou que os dois pedidos formulados recentemente à União Europeia (UE) foram recebidos com relutância e politizados por alguns Estados-Membros, incluindo as duas antigas potências coloniais [referência a Portugal e Bélgica]), transformando um apoio crucial à Moçambique numa crítica irracional ao Ruanda.

“Durante o mesmo período, as forças de segurança ruandesas beneficiaram da assistência do Mecanismo Europeu para a Paz (MEP), com um montante que representa uma pequena fracção das despesas reais do Ruanda em Moçambique e dos investimentos da UE em Cabo Delgado”, aponta o chefe da diplomacia ruandesa.

Em causa está o fim, já previsto anteriormente para o corrente mês de Maio, do apoio financeiro, após 40 milhões de euros desembolsados – em dois momentos, o primeiro apoio e a renovação – da UE à operação que o Ruanda assume há cinco anos em Cabo Delgado, apoiando as Forças Armadas moçambicanas no combate aos grupos terroristas que operam na região que concentra das maiores reservas de Gás Natural Liquefeito (GNL) em África, palco de insurgência desde 2017.

Olivier Nduhungirehe recordou que, em 2021, as forças de segurança ruandesas intervieram em Cabo Delgado a convite do Governo de Moçambique e que “a missão foi bastante bem-sucedida”.

“A paz e a estabilidade foram restauradas, as famílias regressaram a casa, as crianças voltaram à escola, as empresas reabriram, as forças moçambicanas foram (e continuam a ser) treinadas e as empresas europeias/americanas puderam retomar em segurança os seus investimentos de 50 mil milhões de dólares [43,1 mil milhões de euros] em GNL”, acrescentou o governante ruandês ainda de acordo com a Imprensa internacional.

Refira-se que estes desenvolvimentos surgem num momento em que, se por um lado, aproxima-se o fim do apoio financeiro da UE à operação (neste mês de Maio), por outro lado, os EUA – que financiam o megaprojecto de GNL liderado pela francesa TotalEnergies em Cabo Delgado – aplicaram sanções às Forças de Defesa do Ruanda (RDF), devido ao seu alegado envolvimento no conflito na República Democrática do Congo.

Foto_1: www.mod.gov.rw

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