Moçambique tem possibilidade de tirar proveito da subida do preço do gás natural no mercado internacional através do Projecto Coral Sul, operado em águas ultra-profundas na Área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado.

No entanto, considera-se que tendo em conta a natureza dos contratos deste negócio, não se esperam ganhos muito acentuados.

Este esclarecimento foi prestado pelo Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Instituto Nacional de Petróleos (INP), Nazário Bangalane, em entrevista ao jornal “Notícias”.

O gestor máximo do INP explicou que para o caso do gás por gasoduto, como o da Sasol, entre Inhambane e África do Sul, os preços são definidos por contratos de longo prazo com fórmulas específicas, o que limita o impacto imediato destas variações.

Referiu que para o caso do Gás Natural Liquefeito (GNL), caso concreto do Projecto Coral Sul FLNG, operado desde 2022, existe algum potencial de benefício, tendo em conta que os contratos estão indexados a referências internacionais, algumas vezes de forma híbrida.

Entretanto, assegurou que a metodologia adoptada neste tipo de negócio vai ao encontro do princípio de boas práticas internacionais, com o objectivo de assegurar a estabilidade contratual para proteger, tanto os compradores de GNL, como o Governo das flutuações do preço.

Referiu, igualmente, que os contratos de compra e venda estabelecem também uma margem para a realização de algumas vendas a curto prazo, cujo preço aplicado se baseia nos custos actuais do mercado.

É nesta vertente que Nazário Bangalane explicou que os ganhos não serão extraordinários, apesar da volatilidade dos preços no mercado.

A reacção sobre está matéria surge na sequência das novas dinâmicas no mercado internacional, marcadas pelo aumento do custo dos recursos energéticos devido à guerra que envolve o Irão, Estados Unidos da América e Israel desde 28 de Fevereiro do ano em curso.

O conflito, que tem provocado o agravamento do preço de produtos petrolíferos no mundo, resultou na subida do custo do gás em 22 por cento na Europa, tendo atingido, inclusive, o maior salto dos últimos quatro anos.

FOTO_2: O PAÍS

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