O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano manteve conversas telefónicas separadas com os homólogos de Omã e Arábia Saudita sobre o Estreito de Ormuz, que está no centro do conflito com os Estados Unidos da América (EUA).
A informação foi prestada hoje pela televisão estatal iraniana, segundo cita a agência Lusa.
“Eles insistiram na necessidade de reforçar a cooperação e de fazer avançar os esforços diplomáticos para estabelecer a estabilidade na região e eliminar a insegurança imposta no Estreito de Ormuz devido aos actos agressivos dos Estados Unidos”, referiu a televisão estatal sobre o encontro do chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi.
O Estreito de Ormuz continua a ser um dos principais pontos de tensão entre Teerão e Washington, tendo as divergências sobre a gestão desta via marítima enfraquecido significativamente um memorando de entendimento assinado a 17 de Junho.
O Irão insiste em manter o controlo do estreito e pretende cobrar pela passagem, mantendo ao mesmo tempo Omã associado a essa gestão enquanto segundo Estado costeiro, na sua margem oposta do estreito.
A via marítima, pela qual transitava antes da guerra cerca de 20 por cento do petróleo e do gás natural liquefeito a nível mundial, está novamente bloqueada pelo Irão desde o reinício das hostilidades entre Washington e Teerão no início de Julho.
O conflito alastrou-se nas últimas semanas com o fim de uma trégua de quatro anos entre a Arábia Saudita, o maior exportador mundial de petróleo bruto, e os rebeldes Huthis do Iémen, apoiados pelo Irão.
Sexta-feira, uma embarcação de transporte de Gás de Petróleo Liquefeito e com bandeira moçambicana, foi atingida em águas iranianas.
Entretanto, sobre esta matéria, a Autoridade Reguladora do Transporte Marítimo (ITRANSMAR), esclareceu que o navio-tanque de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL), com bandeira moçambicana e alvo de ataque na última sexta-feira, não é nacional.
Segundo a autoridade reguladora, através de um comunicado a que o Gasoduto teve acesso, trata-se de uso fraudulento da bandeira de Moçambique.
“Na sequência de verificações efectuadas por esta instituição, temos a esclarecer que a referida embarcação não consta do registo nacional de navios da República de Moçambique, não possui autorização para arvorar a bandeira moçambicana e não foi registada ao abrigo do regime jurídico marítimo nacional”, lê-se na nota enviada no último domingo.
Neste sentido, refere-se que todas as indicações disponíveis apontam para um uso ilegal e fraudulento da bandeira de Moçambique, facto que constitui uma grave violação do direito marítimo internacional, legislação moçambicana aplicável ao registo de embarcações e dos princípios que regem a identificação e nacionalidade dos navios.
A ITRANSMAR refere ainda que está em curso a recolha de informação junto das organizações internacionais relevantes e das autoridades dos Estados envolvidos, com vista ao completo esclarecimento dos factos e à identificação dos responsáveis pela utilização indevida da bandeira nacional.







