O presidente da Associação de Conteúdo Local de Moçambique, Elton Chemane, defende que a industrialização do país é fundamental para garantir que uma parcela significativa dos ganhos gerados pelos megaprojectos do sector de petróleo e gás permaneça em Moçambique.
Chemane considera que as empresas moçambicanas estão actualmente mais preparadas para integrar as cadeias de fornecimento dos grandes projectos, incluindo os ligados ao gás natural, cuja retoma é aguardada pelo país.
“Nos últimos anos foi feito muito trabalho preparatório, de compreensão sobre a indústria e hoje em dia já temos empresas moçambicanas espalhadas pelo país inteiro, com capacidade e com os requisitos mínimos necessários para agarrar as oportunidades, ter contratos, prover serviços e, com cada disciplina, fazer uma entrega com qualidade”, disse à Gasoduto.
Apesar dos avanços, o empresário reconhece a existência de obstáculos que continuam a limitar o crescimento e a competitividade das empresas nacionais.
Entre os principais desafios, aponta o elevado custo dos transportes devido ao défice de estradas, as dificuldades de acesso ao financiamento e o custo do dinheiro, a insegurança e a elevada carga fiscal.
“Esses são os desafios que reduzem a aceleração do crescimento das empresas moçambicanas”, disse, sublinhando que grande parte destes constrangimentos está relacionada com o próprio ambiente económico nacional e não directamente com a indústria de petróleo e gás.
Para Chemane, contudo, a capacidade de Moçambique transformar a exploração dos seus recursos naturais em ganhos duradouros dependerá sobretudo da velocidade com que o país conseguir industrializar-se.
“O que vai ditar uma boa ou menos boa avaliação sobre isso vai ser a velocidade em que vamos industrializar o país. Porque, se não industrializarmos Moçambique, se não tivermos fábricas a produzir em casa, vamos reter muito pouco valor”, explicou.
Segundo o presidente da Associação de Conteúdo Local, mesmo que as empresas moçambicanas consigam conquistar contratos nos grandes projectos, uma parte significativa do dinheiro poderá continuar a sair do país caso os bens e serviços necessários sejam importados.
“Vamos dizer que temos cada vez mais empresas a ganharem dinheiro com contratos na indústria, mas esse dinheiro sai todo. Portanto, ou vai para a África do Sul, China, Houston (Estados Unidos da América) ou para a Tailândia, que é para lá de onde vem a maior parte dos bens que são fornecidos às empresas do sector de petróleo e gás”, afirmou.
Neste contexto, Chemane considera que o desenvolvimento de capacidade produtiva interna poderá contribuir para reduzir a saída de divisas, aumentar a participação nacional nas cadeias de valor e estimular o crescimento económico.
“Uma maneira de travar a saída de divisas e reter mais valor e acelerar o crescimento económico é por via da industrialização do país”, defendeu.
O responsável considera que, actualmente, Moçambique atravessa uma fase de maior intensidade no processo de industrialização e espera, por isso, que os próximos anos permitam avaliar os resultados dos esforços de preparação das empresas nacionais para responder às oportunidades associadas aos grandes projectos do sector de hidrocarbonetos.







