A investigadora do Centro de Integridade Pública (CIP), Estrela Charles, defende que as futuras receitas provenientes da exploração de gás natural em Moçambique devem ser canalizadas para o desenvolvimento do capital humano, fortalecimento das instituições e diversificação da economia, de modo a garantir benefícios duradouros para as próximas gerações.

Para a economista e oficial de advocacia para políticas públicas do CIP, a exploração dos recursos naturais, por si só, não será suficiente para determinar o desenvolvimento do país.

 O principal desafio, segundo Charles, estará na forma como as receitas provenientes do gás serão geridas e transformadas em investimentos capazes de dinamizar outros sectores da economia.

“O recurso em si, o gás, o petróleo, não vai determinar o sucesso. O mais importante é como vamos utilizar esse recurso, o que vamos fazer com ele e como vamos, a partir dessas receitas, conseguir transformar outros sectores”, afirmou.

Charles falava na I Conferência Nacional de Economia 2026, realizada na Universidade Pedagógica (UP), em Maputo, sob o lema “Explorar com Consciência, Desenvolver com Sustentabilidade”, onde abordou os desafios que Moçambique deverá enfrentar para transformar as receitas provenientes do gás natural em desenvolvimento sustentável.

Segundo a investigadora, a experiência internacional demonstra que a existência de grandes reservas de recursos naturais não constitui, por si só, garantia de crescimento económico ou redução da pobreza.

A economista citou a Nigéria e a Venezuela como exemplos de países onde a abundância de recursos naturais não se traduziu automaticamente em desenvolvimento económico abrangente.

Em sentido diferente, apontou as experiências da Noruega e do Botsuana, destacando a aposta destes países na utilização das receitas provenientes dos recursos naturais em investimentos com efeitos para além do período de exploração.

Para Charles, Moçambique deve procurar evitar uma excessiva dependência da economia em relação ao gás e utilizar as receitas do sector para criar bases de desenvolvimento noutros domínios, particularmente através do investimento no capital humano, instituições e sectores produtivos.

A estratégia, segundo a investigadora, deverá permitir que a riqueza gerada pela exploração dos recursos naturais se converta em activos económicos e sociais capazes de beneficiar a população mesmo depois da redução ou esgotamento das reservas de gás.

A discussão ocorre num momento em que Moçambique procura retomar e expandir os seus projectos de gás natural, sobretudo na Bacia do Rovuma, com expectativas de aumento da produção e das receitas associadas ao sector.

A gestão dessas receitas constitui, assim, um dos principais desafios colocados ao país, sobretudo no que diz respeito à definição das prioridades de investimento, transparência na utilização dos recursos públicos e criação de mecanismos que assegurem benefícios de longo prazo.

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