A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) está a negociar com potenciais investidores, incluindo a sul-africana Sasol e a operadora de gasodutos ROMPCO, o desenvolvimento de um projecto de gás natural avaliado em cerca de 250 milhões de dólares, que prevê a instalação de unidades de armazenamento e regaseificação na Beira e em Inhassoro, com o objectivo de reforçar o abastecimento energético na África Austral.
Segundo a agência Reuters, a iniciativa inclui a construção de um gasoduto com aproximadamente 140 quilómetros, que deverá ligar as novas infra-estruturas à rede da ROMPCO, responsável pelo transporte de gás natural de Moçambique para o complexo industrial de Secunda, na África do Sul.
O projecto prevê a instalação de unidades flutuantes de armazenamento e regaseificação de gás natural (FSRU, na sigla inglesa) no Porto da Beira, província de Sofala, e em Inhassoro, província de Inhambane. Estas infra-estruturas permitirão armazenar gás natural liquefeito e convertê-lo novamente em estado gasoso para distribuição e consumo.
O presidente do Conselho de Administração da ENH, Rudêncio Morais, afirmou que a empresa pretende colocar as infra-estruturas em operação entre 2030 e 2031, em alinhamento com o desenvolvimento dos grandes projectos de gás natural liquefeito (GNL) na bacia do Rovuma, nomeadamente Mozambique LNG, Rovuma LNG e Coral Norte.
“Moçambique vai tornar-se aquilo a que chamamos um centro de energia”, afirmou Morais, citado pela Reuters, defendendo a ambição de posicionar o País como fornecedor regional de gás, num contexto em que vários mercados da África Austral enfrentam desafios no abastecimento energético.
Actualmente, Moçambique fornece gás natural à África do Sul a partir dos campos terrestres de Pande e Temane, operados pela Sasol, cujas reservas deverão diminuir nos próximos anos. Neste cenário, os recursos de gás existentes na bacia do Rovuma, ao largo da província de Cabo Delgado, poderão contribuir para assegurar o abastecimento futuro dos mercados regionais.
A ENH integra o grupo de empresas estatais moçambicanas que recebeu uma concessão exclusiva de 30 anos para desenvolver e operar infra-estruturas de gás natural no País, incluindo instalações de GNL e gasodutos.








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