A petrolífera italiana Eni lançou ontem um concurso para a construção de uma central termoeléctrica a gás de 75 megawatts (MW) em Temane, Sul de Moçambique, investimento de 130 milhões de dólares anunciado em 2025 pelo presidente da República, Daniel Chapo.
Segundo um edital da Eni Rovuma Basin B.V. Moçambique, as empresas interessadas têm até 31 de Outubro para apresentar candidaturas para os serviços de engenharia, aprovisionamento e construção (EPC) da futura infra-estrutura, a localizar-se no distrito de Inhassoro, província de Inhambane.
Prevê, segundo o edital consultado pela Lusa, a construção, fornecimento de equipamentos, instalação e comissionamento de uma central termoeléctrica a gás de 75 MW, equipada com motores alternativos de combustão interna, incluindo todos os sistemas auxiliares necessários à operação da unidade.
A empresa procura grupos com experiência comprovada em contratos industriais de Engenharia, Aprovisionamento, Construção, Instalação e Comissionamento (EPIC), exigindo a demonstração de pelo menos um projecto de produção de energia eléctrica de dimensão e complexidade semelhantes executado nos últimos sete anos em condições comparáveis às de Moçambique.
O lançamento do concurso representa o avanço de um projecto anunciado em Outubro de 2025 pelo presidente moçambicano, Daniel Chapo, durante a cerimónia de assinatura da Decisão Final de Investimento (FID) da plataforma flutuante de gás natural liquefeito Coral Norte.
Na ocasião, Chapo afirmou que a Eni assumirá o compromisso de financiar a construção de uma central termoeléctrica de 75 MW em Temane, avaliada em cerca de 130 milhões de dólares, cuja implementação seria feita em articulação com a estatal Electricidade de Moçambique (EDM).
“Esta central será construída em Temane, na província de Inhambane, onde estamos neste momento a ter a obra da central de 450 MW. Vamos ter mais 75 MW através da Eni. Este empreendimento reforçará a capacidade nacional de geração de energia, contribuindo para a segurança energética e para a dinamização da nossa economia”, declarou então o chefe de Estado.
A localização escolhida coincide com a área onde está a ser construída a Central Térmica de Temane (CTT), infra-estrutura de 450 MW alimentada pelos campos de gás natural de Temane e Pande, considerada uma das principais apostas de Moçambique para reforçar a produção eléctrica nacional e aumentar as exportações regionais de energia.
O anúncio da central dos 75 MW integrou um conjunto mais alargado de compromissos assumidos pela Eni no âmbito da expansão dos investimentos energéticos no país, paralelamente ao desenvolvimento do projecto Coral Norte.
Os parceiros da Área 4 da Bacia do Rovuma, operada pela petrolífera italiana ao largo da província de Cabo Delgado, assinaram em Outubro de 2025 a decisão final de investimento daquele projecto, avaliado em 7,2 mil milhões de dólares.
A segunda plataforma flutuante deverá duplicar a capacidade moçambicana de produção de gás natural liquefeito, elevando-a para cerca de sete milhões de toneladas anuais a partir de 2028, mas a Eni já confirmou anteriormente à Lusa estar a estudar a possibilidade de avançar com uma terceira unidade.
O projecto Coral Norte junta-se ao Coral Sul FLNG, também operado pela Eni, que entrou em produção em 2022 e constituiu a primeira exportação de gás natural liquefeito da história de Moçambique.







