A União Europeia (UE) aponta o gás natural de Moçambique como elemento relevante para a diversificação de fontes de energia, defendendo uma relação com o país baseada numa lógica de parceria e benefício mútuo.

Em entrevista à Lusa, na cidade de Maputo, à margem de uma visita de trabalho ao país, a directora-geral para África do Serviço Europeu de Acção Externa, Patrícia Llombart, afirmou que Bruxelas vê nos recursos naturais moçambicanos, em particular no Gás Natural Liquefeito (GNL), uma oportunidade para aprofundar a cooperação estratégica.

“Moçambique possui um potencial significativo para se tornar um parceiro relevante na estratégia de diversificação energética da União Europeia, dada a enorme dimensão das reservas naturais de que dispõe”, disse, aludindo às reservas de GNL, das maiores em África.

Acrescentou que a UE acompanha “com grande interesse o desenvolvimento dos projectos de GNL em Cabo Delgado”, dois dos quais de petrolíferas europeias, e identifica “um grande potencial a longo prazo”, à medida que as condições de segurança melhoram e os investimentos são retomados.

A responsável destacou os projectos liderados pela italiana ENI e pela francesa TotalEnergies, envolvendo algumas das maiores reservas de gás descobertas nas últimas décadas.

“São, sem dúvida, muito importantes no actual contexto geopolítico, nomeadamente para a diversificação energética e a segurança energética da Europa”, declarou.

A diplomata acrescentou que estes investimentos “são claramente do interesse comum tanto da Europa como de Moçambique”, quando a UE procura reduzir vulnerabilidades energéticas e diversificar as suas fontes de abastecimento.

Apesar deste potencial, Llombart reconheceu que a concretização plena desse objectivo exigirá tempo, também quando o país ainda tenta conter a ameaça insurgente no Norte, que condicionou o avanço dos projectos.

Questionada sobre a crescente competição internacional por recursos minerais e energéticos em África, inclusive com a China e os Etados Unidos na corrida em Moçambique, a responsável procurou distinguir o posicionamento europeu de outras abordagens externas ao continente.

Explicou que a presença europeia no país assenta numa lógica de parceria, sustentabilidade e respeito pelas decisões soberanas do Estado moçambicano.

Patrícia Llombart insistiu que a relação entre a UE e Moçambique não resulta apenas das actuais necessidades energéticas europeias, mas de uma cooperação política, económica e de desenvolvimento construída ao longo de décadas.

A responsável acrescentou que “não se trata de uma medida transitória” e descreveu a parceria como “uma relação permanente, de longo prazo, baseada em valores e em interesses comuns”.

Na mesma linha, sublinhou que a exploração dos recursos naturais e as opções de desenvolvimento cabem exclusivamente a Moçambique.

“O que a UE oferece é uma parceria entre iguais, na qual a sustentabilidade desempenha um papel fundamental e que se baseia na confiança e no benefício mútuo, e não na concorrência pelo acesso”, disse.

Refira-se que, de um modo geral, a crise energética provocada pela Guerra no Médio Oriente veio acrescentar o grau de dificuldades que a UE enfrenta desde que, em Fevereiro de 2022, a Rússia invadiu a Ucrânia e arrancou, aí, outra guerra que se prolonga até aos dias de hoje.

A guerra russo-ucraniana, contestada pela UE, fez com que este bloco aplicasse sanções ao Governo e empresas de Moscovo, limitando em grande medida o uso do seu estratégico gás.

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