O Ministro das Relações Exteriores do Irão, Abbas Araqchi, disse ontem que o controlo da passagem no estreito de Ormuz vai permanecer sob controlo do país por, pelo menos, os próximos 30 dias e advertiu ainda que tentativas de mudança no acordo com Estados Unidos da América (EUA) levarão à escalada e atrasarão abertura da passagem marítima.
O dirigenete alertou ainda para atrasos no restabelecimento do tráfego comercial na região caso verifiquem-se tentativas para alterar o acordo firmado entre Teerã e Washington recentemente.
A declaração foi feita durante uma conferência de imprensa, em Bagdá, onde manteve conversações com o homólogo do Iraque, Fuad Hussein.
“O Estreito de Ormuz permanecerá sob total supervisão e gestão do Irão durante os próximos 30 dias”, afirmou o chanceler, acrescentando que “após a remoção de todos os obstáculos, a capacidade total da hidrovia será restaurada”, disse.
O estreito de Ormuz, lembre, é um canal por onde passa entre 20 e 25 por cento do petróleo consumido no mundo, o que indica que o seu condicionamento mexe com o mercado, seja através da disponibilidade dos produtos petrolíferos bem como do respectivo preço.
“Qualquer tentativa de impor novos acordos só levará a complicações e atrasará a reabertura do Estreito de Ormuz”, afirmou, destacando que as decisões sobre a gestão da hidrovia não devem ser submetidas a pressões externas e reiterando que “qualquer novo desenvolvimento resultará no agravamento da situação e também no atraso da abertura do estreito”, escreve o Opera Mundi.
Ontem, domingo, o Ministério das Relações Exteriores do Irão classificou a ofensiva dos EUA contra a costa iraniana como um “ataque brutal”, afirmando que a acção demonstra que Washington “não atribui o mínimo valor ou credibilidade aos seus compromissos”.
Teerã acusou os EUA de violarem o Memorando de Entendimento (MoU) firmado entre os dois países e a Carta das Nações Unidas. Após os ataques, o presidente norte-americano Donald Trump ameaçou: “pode chegar um momento em que não seremos mais capazes de ser razoáveis e seremos forçados a concluir militarmente o trabalho que começamos com muito sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irão deixará de existir”.
Diante da escalada, o Ministro das Relações Exteriores do Irão defendeu a criação de uma nova arquitectura de segurança regional, sem a participação de potências externas, reiterando a proprosta do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, apresentada durante seu encontro com os países do Oriente Médio, na última quarta-feira.







