O Presidente da República, Daniel Chapo, disse hoje que os ganhos dos projectos energéticos não vão resolver, por si só, os problemas de desenvolvimento necessários no país.
Na sua perspectiva, Moçambique deve olhar para estes projectos como ferramentas para estimular outros sectores de actividade que, juntos, sejam capazes de contribuir para o crescimento económico do país.
A posição do Chefe de Estado moçambicano foi defendida, em Maputo, durante a abertura da XXI edição da Conferência Anual do Sector Privado (CASP), evento organizado pela Confederação das Associações Económicas (CTA), juntando decisores políticos, servidores públicos, empresários e investidores para reflectir sobre os problemas do ambiente de negócios e firmar negócios.
Na ocasião, Daniel Chapo lembrou que, neste momento, os investimentos em projectos do sector de Oil and Gas, na Bacia do Rovuma, atingem cerca de 50 mil milhões de dólares americanos.
Explicou que os dois projectos da multinacional ENI, designadamente: Coral Sul e Coral Norte, estão avaliados em 15 mil milhões; o projecto que está a ser liderado pela TotalEnergies, em 15 mil milhões de dólares; mencionando, também, o projecto da ExxonMobil na ordem de 30 mil milhões de dólares.
“Se tudo correr bem, ainda neste segundo semestre vamos assinar a Decisão Final de Investimento (FID, na sigla em inglês), com a ExxonMobil. Entretanto, estes biliões de dólares, em si, não são suficientes para mudar Moçambique”, alertou o Presidente da República.
Para sustentar a sua posição, Daniel Chapo disse que o que vai mudar o país é a visão nacional de construir uma economia diversificada.
“Pegar nos recursos resultantes desta indústria extractiva para investirmos na agricultura, comércio, indústria, transporte, logística, turismo, digitalização, economia azul e tantas outras áreas de investimento que Moçambique tem para criar melhores oportunidades de emprego, geração de renda, salários e impostos para continuarmos a fazer investimentos públicos”, disse.
Apontou que foi nesta perspectiva que foi instituído o Banco de Desenvolvimento de Moçambique, decisão precedida de reformas legislativas como as leis de Minas, Petróleos, Conteúdo Local, incluindo a criação da Autoridade Reguladora do Conteúdo Local.
O Chefe de Estado argumentou que o verdadeiro impacto dos recursos naturais nota-se quando o gás natural impulsiona a industrialização, produção de fertilizantes, construção de centrais eléctricas e novas oportunidades para as empresas nacionais.
“É assim que os recursos naturais deixam de ser apenas riqueza potencial e passam a ser prosperidade efectiva para o povo, constroem uma economia moderna e criam emprego em quantidade e qualidade para o povo moçambicano”, disse.







