O grupo português de energia GALP está a preparar uma nova ronda de investimento em Angola, através de uma parceria com a petrolífera estatal Sonangol.

O anúncio foi feito ontem pelo presidente da firma angolana, Sebastião Gaspar Matins, num contexto em que Angola intensifica o seu discurso de atracção de investidores estrangeiros.

“Recentemente tivemos uma visita de uma delegação da GALP que, depois de sair, voltou e manifestou a intenção de investir connosco nas áreas de exploração e produção”, disse o Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, na conferência Doing Business Angola, organizada pelo Jornal Económico e pela Forbes África Lusófona.

As duas empresas já operam a Sonangalp, uma joint venture de distribuição de combustível. A Gaspar Martins descreveu a GALP como uma empresa irmã.

O chefe da Sonangol disse que o retorno do grupo português reflecte a confiança no caso de investimento do país.

“Angola continua a ser um bom lugar para investir”, afirmou, acrescentando que a firma estatal está envolvida em todas as 41 concessões de petróleo no país, actuando ao lado de parceiros estrangeiros e nacionais.

A Sonangol também está a trabalhar com o grupo de construção português Mota-Engil para reactivar um estaleiro naval que se pretende construa embarcações para a indústria petrolífera, disse Gaspar Martins.

O dirigente de uma das mais estratégicas empresas angolanas confirmou que o plano da Sonangol de vender até 30 por cento da empresa permanece em vigor, mas se recusou a dar um cronograma e descartou uma mudança em 2026.

“Queremos vender até 30% no mercado de acções. Será feito no momento certo”, afirmou citado pela CNBC Africa.

O PCA da Sonangol disse que a empresa continua limitada por suas obrigações de serviço público, incluindo seu papel no sistema de subsídio de combustível em Angola.

“Há todo um conjunto de ineficiências, mas isso não significa que não estamos nos preparando para ir a público. Não vamos fazer isso à custa de outras pressões”, disse.

Acrescentou que compraria acções quando a listagem acontecesse e “aconselharia todos a fazer o mesmo”.

A Sonangol, que celebra 50 anos em 2026, reestruturou cerca de cinco unidades de negócios principais, além de uma divisão não essencial, abrangendo produção, distribuição, refino, gás, comércio e transporte marítimo.

Gaspar Martins disse que a Sonangol pretende posicionar-se como uma empresa de energia, em vez de uma empresa de petróleo, e está a construir uma posição de longo prazo em minerais críticos. Também identificou o aumento da capacidade de refino de Angola como uma prioridade, afirmando que as novas refinarias planeadas pelo Governo de Luanda reduziriam a dependência de importações de combustíveis, criariam empregos e contribuíam para a estabilidade económica deste país africano falante e português.

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