Angola investiu cerca de 99 mil milhões de dólares americanos no sector petrolífero, nos últimos nove anos, período em que foram perfurados 38 poços de exploração que resultaram em 16 descobertas, foi esta quarta-feira anunciado.

A informação foi transmitida pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, dando nota que, neste período foram, igualmente, negociadas 72 novas concessões petrolíferas, estando já assinadas 44 e as restantes em fase de aprovação.

Em declarações na abertura oficial da sétima edição da Conferência e Exposição Angola Oil & Gas 2026 que, entretanto, terminou na noite desta quinta-feira em Luanda, o governante disse que o país “continua a expandir a fronteira exploratória, procurando descobrir novos recursos e renovar reservas”.

Assegurou que o país está também a criar condições necessárias para sustentar a produção no longo prazo.

O ministro de Estado, que falava em representação do Presidente angolano, João Lourenço, considerou que Angola continua comprometida com o desenvolvimento do sector de petróleo e gás, de modo responsável, competitivo e sustentável.

Realçou que este processo decorre com uma visão alargada que ultrapassa a simples exploração e produção de petróleo e que prevê uma maior integração local.

“Queremos que uma parcela crescente do valor associado aos nossos recursos naturais seja criada dentro das nossas fronteiras, gerando mais actividade económica, empregos e competências, contribuindo mais para o crescimento da economia e o bem-estar da nossa população”, sublinhou o governante citado pela Lusa.

Massano reconheceu, no entanto, os desafios colocados pelas alterações climáticas e a necessidade de se avançar para uma transição energética que, para o Governo de Angola, observou, deve ser gradual, equilibrada e inclusiva.

Defendeu uma transição energética que permita conciliar os objectivos de descarbonização com o imperativo do desenvolvimento económico e social de Angola, realçando que o país vai continuar a produzir hidrocarbonetos de forma cada vez mais responsável, eficiente e sustentável.

Perante uma audiência composta por operadores, reguladores, investidores globais, empresas de serviços, financiadores, estudantes e pesquisadores nacionais e estrangeiros, o ministro angolano destacou, igualmente, as reformas no sector da produção do gás natural.

De acordo com o governante, o gás que era visto apenas como um subproduto do petróleo bruto, “tornou-se agora num sector relevante com foco na exploração de campos de gás não associado e no desenvolvimento de projectos em grande escala”.

Por outro lado, apontou a Refinaria de Cabinda, a primeira construída em Angola após a independência e inaugurada em 2025, e a Refinaria do Lobito em construção, como infra-estruturas que surgem para reforçar a capacidade nacional de refinação.

José de Lima Massano considerou mesmo que os derivados de petróleo representam também uma oportunidade para reduzir a dependência de importações, reduzir a exposição externa e reter uma parcela maior do valor gerado pelos recursos do país.

Por fim, ao aludir ao lema da conferência “Investir no Futuro de Angola”, o ministro de Estado referiu que este traduz uma responsabilidade de todos os actores que operam no mercado do petróleo e gás.

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