A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) prevê que a procura de petróleo em África aumente de 4,9 milhões para 9,2 milhões de barris por dia até 2050, enquanto o consumo de gás natural deverá duplicar, impulsionado pelo crescimento populacional, urbanização e expansão industrial. As energias renováveis também deverão registar um crescimento expressivo, segundo projecções apresentadas esta quinta-feira, na Semana de Energia Africana 2026, na Cidade do Cabo, África do Sul.

Ao apresentar as perspectivas do mercado energético africano, o director do Departamento de Estudos Energéticos da OPEP, Abderrezak Benyoucef, afirmou que a procura deverá crescer em todos os principais segmentos, incluindo petróleo, gás natural e energias renováveis, reflectindo o aumento das necessidades energéticas do continente.

No caso do petróleo, a OPEP estima que a procura passe dos actuais 4,9 milhões de barris por dia, em 2025, para 9,2 milhões de barris por dia em 2050. O sector dos transportes deverá assumir o maior peso neste crescimento, representando cerca de 60% do aumento previsto, enquanto a restante procura será impulsionada pela indústria petroquímica, outras actividades industriais e produção de electricidade.

Benyoucef explicou que a evolução demográfica, a urbanização e o desenvolvimento industrial estarão entre os principais factores que irão determinar a expansão do consumo energético africano nas próximas décadas.

Paralelamente, a procura de gás natural deverá duplicar até 2050, enquanto as energias renováveis, incluindo hídrica, eólica, solar e biomassa, também deverão registar um crescimento significativo. Segundo as projecções da organização, a biomassa continuará a representar a maior parcela da procura de energia renovável no continente.

Em contrapartida, o consumo de carvão deverá aumentar apenas marginalmente, enquanto a procura de energia nuclear deverá permanecer limitada.

ÁFRICA PRECISA DE USD 125 MIL MILHÕES PARA REFINAÇÃO

Para responder ao crescimento da procura de combustíveis, África precisará de pelo menos 125 mil milhões de dólares em investimentos na refinação de crude até 2050, abrangendo projectos existentes, novas infra-estruturas e manutenção das instalações, segundo as estimativas apresentadas pela OPEP.

Actualmente, as refinarias africanas operam com uma taxa de utilização de aproximadamente 55%, processando menos de três milhões de barris de crude por dia. A organização prevê que a capacidade de refinação do continente aumente em 3,2 milhões de barris por dia, atingindo cerca de 7,9 milhões de barris por dia até 2050.

Com essa expansão, a taxa de utilização das refinarias poderá subir para aproximadamente 80%, aproximando-se da média mundial. Ainda assim, a capacidade projectada continuará aquém da procura de petróleo estimada para o mesmo período, o que evidencia a necessidade de investimentos adicionais na capacidade de processamento e no desenvolvimento das infra-estruturas energéticas.

PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO VÃO IMPULSIONAR PROCURA GLOBAL

A nível mundial, a OPEP prevê que a procura de energia primária aumente dos actuais 312 milhões de barris equivalentes de petróleo por dia para cerca de 383 milhões até 2050. Quase todo o crescimento deverá ser impulsionado pelos países em desenvolvimento, incluindo os africanos.

O continente dispõe de reservas comprovadas estimadas em 120 mil milhões de barris de petróleo bruto e 18 biliões de metros cúbicos de gás natural, recursos que poderão desempenhar um papel importante no abastecimento energético e no desenvolvimento industrial.

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