A Fundação para a Competitividade Empresarial (FUNDEC), reiterou hoje que a crise de combustíveis que o país atravessou entre os meses de Abril e Maio, mais deveu-se à falta de divisas no sistema bancário nacional do que, necessariamente, o bloqueio do estreito de Ormuz, no quadro da guerra entre os aliados Estados Unidos da América e Israel contra o Irão, iniciada a 28 de Fevereiro último.
Ao apresentar, em Maputo, um relatório técnico sobre as causas da escassez de combustíveis no país, a FUNDEC disse, apesar de respeitar o impacto da guerra no Médio Oriente, “este fenómeno demonstrou que a crise de combustíveis em Moçambique não era primariamente uma crise física de abastecimento internacional, mas sim uma crise financeira e cambial instalada dentro do próprio sistema económico nacional.”
O facto, segundo a fonte, tem uma raiz ainda mais complexa pois a falta de moeda estrangeira (imprescindível para a importação de combustíveis) no sistema bancário nacional deriva do facto de existir uma Taxa de Câmbio fictícia e que não reflecte a verdadeira paridade entre o dólar americano e o metical e, ainda, o facto de que as receitas de sectores do gás não se reflectirem na disponibilidade na economia nacional.
De acordo com Clésio Foia, Economista-Chefe da FUNDEC, a taxa de câmbio aplicada pelo Banco de Moçambique é fictícia e não estimula os exportadores, pagos em dólares, a trocarem essa divisa em meticais no sistema bancário nacional, provocando a sua escassez.
Outrossim, apesar da venda de gás natural dos megaprojectos ser feita em moeda estrangeira, a mesma não está disponível em Moçambique.
Combinados, estes factores provocaram a falta de divisas no sistema bancário e geraram a incapacidade dos bancos comerciais nacionais de emitirem cartas de garantias para a libertação do combustível que era descarregado nos terminais oceânicos dos portos nacionais.
Não menos importante foi, ainda, a dita arbitragem, em que por Moçambique ter preços de combustíveis comparados com os países vizinhos, operadores desses países atravessavam as fronteiras para comprar o produto local, gerando pressão de disponibilidade.
Em relação ao futuro, a FUNDEC avança com uma série de recomendaçóes, desde a edificação de refinarias, a massificação do gás extraído localmente na sua matriz energética para evitar a exportação de divisas na importação de combuistíveis entre outros.
Veja parte das declarações de Clésio Foia sobre as razões por detrás da crise de combustíveis em Moçambique.
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