O Conflito no Médio Oriente, associado às incertezas sobre a cadeia logística, oferta de bens, bem como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis, forçaram, pela segunda vez consecutiva, a manutenção da taxa de politica Monetária, designada taxa MIMO em 9,25 por cento.

O anúncio foi feito ontem, segunda-feira (25), pelo governador do Banco de Moçambique (BdM), Rogério Zandamela, em conferência de imprensa realizada após reunião do Comité de Política Monetária, órgão do Banco Central que decide sobre as taxas de juro.

A última redução da Taxa MIMO, que influencia no custo e acesso do financiamento através de empréstimos, foi feita em Janeiro do ano em curso. Em Março, depois de iniciado o conflito no Médio Oriente, o Banco Central optou por manter esta taxa que observava uma tendência de descida consecutiva desde 2024.

“Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e o consequente impacto sobre a cadeia logística e oferta de bens, bem como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”, disse o gestor do regulador da banca.

Na ocasião, referiu que no curto e médio prazo, anteve-se uma aceleração da inflação, podendo atingir dois dígitos, dependendo da duração do conflito no Médio Oriente.

Explicou ainda que a previsão da inflação reflecte os efeitos directos e indirectos do ajustamento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos, da intermitência no seu fornecimento e da inflação importada, não obstante a estabilidade do metical e a fraca actividade económica.
Disse que a previsão da inflação foi revista em alta. Detalhou que em Abril de 2026, a inflação anual fixou-se em 4,4 por cento, após 3,4 por cento em Março, num contexto em que a inflação subjacente, que exclui frutas e vegetais e bens com preços administrados, manteve-se estável.

“A nível doméstico, evidenciam-se riscos e incertezas quanto à magnitude dos efeitos indirectos do aumento dos preços dos combustíveis sobre a cadeia logistica e a oferta de bens; ao ritmo de reposição da capacidade produtiva na sequência das inundações que assolaram o país no primeiro trimestre do ano e aos efeitos do agravamento do risco fiscal, com destaque para os atrasos nos pagamentos devidos pelo Estado”, contextualizou.

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