As autoridades moçambicanas anunciaram ontem a retoma normal do abastecimento de combustíveis nas cidades de Nampula e Nacala, no norte do país, após protestos de moto-taxistas contra a escassez destes produtos.

Em comunicado, o Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) admite que os postos de abastecimento de combustíveis registam escassez do produto, sobretudo de gasolina nas cidades de Nampula e Nacala, na província de Nampula, esclarecendo que a crise foi originada pela chegada tardia do navio responsável pela reposição da gasolina na região norte do país devido ao mau tempo registado em Durban, na África do Sul, que impediu a realização das operações portuárias dentro do prazo previsto.

Enquanto o navio segue para o norte do país, com previsão de atracar amanhã, quinta-feira, o Governo avança que camiões carregados destes produtos estão a sair das cidades de Pemba e Nacala para abastecer Nampula, com a operação a permitir o reabastecimento de vários postos, cuja situação se prevê que retome a normalidade na quarta-feira.

“Os carregamentos de camiões vão continuar, de forma a garantir aos munícipes acesso livre e seguro ao combustível. Estamos a acompanhar a operação de perto e contamos ter a rede completamente reposta a partir de amanhã [hoje], quarta-feira, dia 23 de Setembro”, afirmou Felisbela Cunhete, Directora Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, citada no comunicado do MIREME.

Na segunda-feira, dezenas de moto-taxistas concentraram-se junto à residência do governador de Nampula para exigir uma solução para a alegada escassez de combustível, situação que afirmam estar a comprometer a sua actividade e rendimentos.

Os manifestantes afirmaram que passam várias horas por dia nas filas dos postos de combustível, reduzindo significativamente o tempo dedicado ao trabalho, e acusam alguns locais de abastecimento de não disponibilizarem produto, apesar da chegada regular de camiões-cisterna à cidade.

A dificuldade de acesso ao combustível, disseram à Lusa, contribuiu igualmente para o aumento dos preços praticados no mercado informal, onde alguns dizem estar a pagar cerca de 300 meticais por litro, mais do dobro da tarifa máxima definida.

Após ser informado da concentração, o governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, deslocou-se ao local e apelou à retirada dos manifestantes, manifestando disponibilidade para ouvir as suas preocupações.

O governador propôs que os operadores escolhessem dez representantes para uma reunião no seu gabinete, acompanhada pela comunicação social, para apresentação das preocupações e procura de soluções para o problema.

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