O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, defendeu a necessidade do país iniciar uma reflexão sobre a criação de cadeias de valor no sector de gás natural, através da aposta em indústrias, empresas e produtos que podem advir da exploração deste recurso energético.
Na sua perspectiva, o gás natural não deve ser visto apenas como produto de exportação, mas como matéria-prima para impulsionar o processo de desenvolvimento do país.
A posição foi assumida ontem durante um painel de alto nível, inserido no quadro da Conferência Anual do Sector Privado que decorre na cidade de Maputo.
“Quando falamos de gás natural, não devemos pensar apenas em exportação. Devemos perguntar também: que indústrias podemos criar a partir deste recurso? Que empresas podem nascer? Quantos empregos podemos gerar? Que produtos podemos começar a produzir localmente?”, lançou a reflexão o governante.
O ministro disse que o gás pode contribuir para gerar electricidade, apoiar a produção de fertilizantes, alimentar novas indústrias, aumentar a competitividade da economia e criar novas cadeias de valor.
Apontou que a nova legislação, recentemente aprovada, reforça a orientação para o processamento local dos minerais e prevê uma participação do Estado nos empreendimentos mineiros, criando condições para que Moçambique deixe progressivamente de ser apenas um exportador de matérias-primas e avance na cadeia de valor.
“Mas esta participação não deve ser entendida apenas como uma questão de propriedade. Deve ser vista como um instrumento estratégico para assegurar maior conhecimento do sector, participação na tomada de decisões, retenção de valor e defesa dos interesses nacionais”, destacou.
Exemplificou que no sector petrolífero, a nova Lei dos petróleos reforça a participação do Estado e a governação do sector, num momento em que Moçambique se posiciona como um importante actor no mercado internacional de gás natural.
“Moçambique já possui experiências concretas de promoção da participação nacional no sector de petróleo e gás. Ao longo dos anos, operadores como a Sasol e outras empresas do sector desenvolveram iniciativas de capacitação de empresas moçambicanas, integração de fornecedores nacionais nas cadeias de valor e formação de mão-de-obra nacional”, reforçou
Entretanto, reconheceu a existência de desafios que o sector privado continua a enfrentar, sobretudo no acesso ao financiamento, certificação e tecnologia.
Neste sentido, referiu que se o objectivo é de ter um conteúdo local efectivo, é necessário construir um ecossistema de desenvolvimento empresarial que envolva o Governo, privados, instituições financeiras, grandes empresas, universidades e as instituições de formação técnico-profissional.
“Precisamos de aproximar as instituições financeiras com oportunidades concretas dos projectos. Precisamos de promover parcerias entre empresas nacionais e internacionais que permitam verdadeira transferência de conhecimento e tecnologia”, finalizou.







