O megaprojecto de gás Mozambique LNG está cerca de 45 por cento concluído, emprega quase oito mil trabalhadores e continua a prever arrancar a produção em 2029, apesar de atrasos provocados pelo conflito no Médio Oriente.

A informação foi tornada pública na semana finda, depois que o presidente executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, fez tal declaração a 24 de julho último, em Paris, França, na apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026 da petrolífera francesa. Na ocasião, o gestor afirmou que desde que o megaprojecto foi reiniciado, em Janeiro passado, o mesmo continua a aumentar a mobilização de pessoal no terreno, em Afungi, Cabo Delgado.

Acrescentou que o efectivo actualmente envolvido na construção do empreendimento situa-se entre 7.000 e 8.000 trabalhadores: “Quando comparamos com a curva de progresso, estamos quase com 45% de conclusão”.

Patrick Pouyanné reconheceu, de acordo com a Lusa, que o conflito no Médio Oriente provocou constrangimentos logísticos ao projecto, já que parte dos equipamentos estava a ser produzida no Dubai e noutras instalações daquela região.

“Tivemos de enfrentar algumas dificuldades para transportar este equipamento para fora da região”, afirmou, garantindo que estes problemas estão agora ultrapassados. “Penso que isto está resolvido”, disse.

Apesar destes atrasos, a TotalEnergies mantém inalterado o calendário previsto para o arranque da produção de Gás Natural Liquefeito (GNL).

“Está no caminho certo, com o objectivo de 2029 para a entrada em operação da primeira unidade de produção de gás natural liquefeito”, afirmou.

Noutra resposta aos analistas no mesmo encontro, Patrick Pouyanné voltou a referir Moçambique entre os países considerados estratégicos para o crescimento futuro do grupo, juntamente com o Suriname, Namíbia e Malásia.

“Estamos a construir uma posição em Moçambique”, declarou, ao defender a estratégia de diversificação geográfica da empresa.

O Mozambique LNG, desenvolvido na Área 1 da bacia do Rovuma, é um dos maiores investimentos privados em África e deverá transformar Moçambique num dos principais exportadores mundiais de gás natural liquefeito.

Moçambique tem três projectos aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, ao largo da costa de Cabo Delgado, consideradas entre as maiores do mundo.

O projeto Coral Sul, liderado pela italiana ENI, é actualmente o único em produção, desde 2022. Em Outubro passado foi ainda aprovado o investimento na segunda plataforma flutuante de liquefação de gás, Coral Norte, avaliada em 7,2 mil milhões de dólares, que deverá permitir duplicar a produção para sete milhões de toneladas anuais de gás natural liquefeito (GNL), a partir de 2028, estando em estudo uma terceira unidade.

Após quase cinco anos de suspensão devido à insegurança provocada pelos ataques armados em Cabo Delgado, o projecto Mozambique LNG, da Área 1, liderado pela TotalEnergies e avaliado em 20 mil milhões de dólares, retomou oficialmente em Janeiro e prevê uma produção até 13 milhões de toneladas anuais de GNL a partir de 2029.

Segue-se o projecto Rovuma LNG, da Área 4, estimado em 30 mil milhões de dólares, cuja construção e operação serão lideradas pela ExxonMobil como operadora delegada do projecto, estando prevista uma capacidade de produção de 18 milhões de toneladas anuais após 2030. A Decisão Final de Investimento (FID, na sigla em inglês), está sendo projetada para o próximo mês de Setembro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui